quinta-feira, 26 de março de 2009

A felicidade não é alegre.

- É engraçado. De repente não sei o que dizer, isso acontece muito comigo.
Eu sei o que quero dizer. Eu reflito sobre o que quero dizer. Mas no momento de dizer... eu não consigo.

- Sim, claro.

(...)

- E porque a gente precisa sempre falar?
Muitas vezes deviamos nos calar e viver em silêncio. Quanto mais fala-se, menos as palavras significam.

- Talvez, mas como se pode?

- Eu não sei.

- Eu acho que não podemos viver sem falar.

- Então é isso, eu gostaria de viver sem falar.

- Sim, isso seria bom, não?
É como se não amássemos mais. Mas não é possível, nunca será.

- Mas por quê? As palavras deviam exprimir exatamente o que queremos dizer.
Elas nos traem?

- Mas nós a traimos também. Nós devíamos poder dizer o que queremos como já foi feito com a boa escrita (...) nós precisamos.

segunda-feira, 9 de março de 2009

601.

Eu quero pintar paredes. As minhas são brancas e eu não gosto de branco. Eu quero cor aqui, quem sabe um vermelho. Ou preto. E as minhas fotos, tô sentindo falta. Quero recordações de bons momentos. E são vários. Quero molduras coloridas pra combinar com as fotos. Fotos de sorrisos, dos meus sorrisos que não são bem meus, são emprestados. E roubados pra minha parede. Eu quero abrir as 18 com cor, com sorrisos e saudades. Eu tenho. Mas não ligo, entende? Nos dois sentidos, eu não ligo. Eu quero papel de presente colorido pra estampar, uma cópia da saudade. E passarinhos caindo do teto pelo fio transparente também de cor quero. Quero vários com pequenas pedrinhas no final do fim ali pendurado, penduricalho roxo. Uma pimenta verde e vermelha na soleira da pia, com as velas cor prata ao lado e o saleiro na soleira, o casal de bombinhas comprados em um final de ano cheio de saudades. Deixo uma parede pra textura que eu lembro que estava na tua, lembrança dos meus dedos. Em algum lugar deixo uma mancha de qualquer coisa, nada impecável, quero um erro. E como se esquecida deixo a porta pra você escrever colorido os ditos que eu quero, forçado assim porque sei que você não vai dizer. Tens medo. Por último, quero um capacho pros teus pés, que um dia chegarão e assim como eles, só esses serão brancos.