segunda-feira, 20 de julho de 2009

Volver aquela música

- Mas duas pessoas não se equilibram muito tempo lado a lado, cada qual com seu silêncio; um dos silêncios acaba sugando o outro, e foi quando me voltei para ela, que de mim não se apercebia. Segui observando seu silêncio, decerto mais profundo que o meu, e de algum modo mais silencioso. E assim permanecemos outra meia hora, ela dentro de si e eu imerso no silêncio dela, tentando ler seus pensamentos depressa, antes que virassem palavras.

CBuarque roubando.

quinta-feira, 26 de março de 2009

A felicidade não é alegre.

- É engraçado. De repente não sei o que dizer, isso acontece muito comigo.
Eu sei o que quero dizer. Eu reflito sobre o que quero dizer. Mas no momento de dizer... eu não consigo.

- Sim, claro.

(...)

- E porque a gente precisa sempre falar?
Muitas vezes deviamos nos calar e viver em silêncio. Quanto mais fala-se, menos as palavras significam.

- Talvez, mas como se pode?

- Eu não sei.

- Eu acho que não podemos viver sem falar.

- Então é isso, eu gostaria de viver sem falar.

- Sim, isso seria bom, não?
É como se não amássemos mais. Mas não é possível, nunca será.

- Mas por quê? As palavras deviam exprimir exatamente o que queremos dizer.
Elas nos traem?

- Mas nós a traimos também. Nós devíamos poder dizer o que queremos como já foi feito com a boa escrita (...) nós precisamos.

segunda-feira, 9 de março de 2009

601.

Eu quero pintar paredes. As minhas são brancas e eu não gosto de branco. Eu quero cor aqui, quem sabe um vermelho. Ou preto. E as minhas fotos, tô sentindo falta. Quero recordações de bons momentos. E são vários. Quero molduras coloridas pra combinar com as fotos. Fotos de sorrisos, dos meus sorrisos que não são bem meus, são emprestados. E roubados pra minha parede. Eu quero abrir as 18 com cor, com sorrisos e saudades. Eu tenho. Mas não ligo, entende? Nos dois sentidos, eu não ligo. Eu quero papel de presente colorido pra estampar, uma cópia da saudade. E passarinhos caindo do teto pelo fio transparente também de cor quero. Quero vários com pequenas pedrinhas no final do fim ali pendurado, penduricalho roxo. Uma pimenta verde e vermelha na soleira da pia, com as velas cor prata ao lado e o saleiro na soleira, o casal de bombinhas comprados em um final de ano cheio de saudades. Deixo uma parede pra textura que eu lembro que estava na tua, lembrança dos meus dedos. Em algum lugar deixo uma mancha de qualquer coisa, nada impecável, quero um erro. E como se esquecida deixo a porta pra você escrever colorido os ditos que eu quero, forçado assim porque sei que você não vai dizer. Tens medo. Por último, quero um capacho pros teus pés, que um dia chegarão e assim como eles, só esses serão brancos.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Adriana Calcanhotto na manhã.

Um
Foi grande o meu amor
não sei o que me deu
quem inventou fui eu
fiz de você o sol
da noite primordial
e o mundo fora nós
se resumia a tédio e pó
quando em você tudo se complicou

Dois
se você quer amar
não basta  um só amor
não sei como explicar
um só sempre é demais
pra seres como nós
sujeitos  a jogar
as fichas todas de uma vez
sem  temer naufragar
não há lugar pra lamúrias
essas não caem bem
não há lugar pra calúnias
mas por que não
nos reinventar

Três
eu quero tudo o que há
o mundo e seu amor
não quero ter que optar
quero poder partir
quero poder ficar
poder fantasiar
sem nexo e em qualquer lugar
com seu sexo junto ao mar.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Capítulo III - O salmo.


Eu tinha acabado de de dizer que eu estava super alegre quando um homem muito bem vestido, estilo intelectual e rico, se aproxima e diz
Um momento, queria te falar uma mensagem. O salmo... saia das trevas... caminho da luz... você tem que perdoar o homem, tá?!... sabe o homem?... o que ele te fizer... ele vai estar de calça preta assim... olha... perdoa ele... Adeus
Em partes achei maravilhoso por ser mais um momento bizarro, fiquei analisando e rindo até que as piras da minha amiga, que não párava de falar que o cara era um vidente e que era pra eu tomar cuidado, me deixaram com sensação bizarra. Mas o engraçado prevaleceu. Até que eu bati o carro 30 minutos depois. Daí eu achei mais engraçado ainda a situação, não tô dizendo que o momento "salmo" teve a ver com a batida, só achei engraçado tudo no mesmo dia. Mas a questão é, o que leva as pessoas a fazerem esse tipo de coisa? Eu não paro ninguém pra falar sobre o que me interessa. Eu fiquei sabendo que o papa vai mandar torpedo pra milhares de celulares mandando mensagens de esperança em comemoração ao dia da juventude. Acho que isso já tá ótimo, não precisam ficar espalhando mensagens do além pessoalmente!

PS.: A batida foi engraçada e nada de mais.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

F.

Essa menina
É tão indiferente
Fala com a gente
E nem sequer olha no olhar
Sua boca me convém
Seus olhos não me vêem
Estou cansado de esperar

Essa menina
Ainda tem o troco
Me deixou louco
De tanto imaginar
Que seus olhos não me vêem
Sua boca me convém
Estou cansado de esperar

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Sobre a verdade.

"É verdade: amamos a vida não porque estejamos habituados à vida, mas ao amor.
Há sempre o seu quê de loucura no amor; mas também há sempre o seu quê de razão na loucura.

E eu, que estou bem com a vida, creio que para saber de felicidade não há como as borboletas e as bolhas de sabão, e o que se lhes assemelhem entre os homens.
Ver revolutear essas almas aladas e loucas, encantadoras e buliçosas, é o que arranca a Zaratustra lágrimas e canções. Eu só poderia crer num Deus que soubesse dançar."